O curioso presente que Dom Pedro II recebeu em Penedo: um urubu-rei e quatro piranhas
há 11 minutos
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Por Fabrício Vasconcelos — Turismólogo

Quando Dom Pedro II chegou a Penedo, em outubro de 1859, a cidade preparou uma grande recepção para o Imperador.
Houve cerimônias, autoridades, música, igrejas, visitas e uma multidão acompanhando sua passagem.
Mas foi no retorno da viagem a Paulo Afonso que ele recebeu alguns presentes bastante diferentes do que esperaríamos de uma recepção imperial.
Entre eles estavam um urubu-rei de tamanho extraordinário e quatro piranhas.
E isso está registrado em um relato publicado no século XIX.
Um presente bem diferente

Dom Pedro II havia deixado Penedo para seguir pelo Rio São Francisco em direção à Cachoeira de Paulo Afonso.
Depois de conhecer a região e retornar pelo mesmo caminho, chegou novamente a Penedo em 24 de outubro de 1859.
A recepção voltou a ser marcada pelo entusiasmo da população.
O relato da viagem conta que, depois de desembarcar e receber as homenagens, o Imperador foi até o Paço, onde cumprimentou as pessoas que se apresentaram.
Foi então que apareceram alguns presentes.
Entre eles estava:
um urubu-rei de “collossal grandeza” e quatro piranhas preparadas em espírito de vinho.
As piranhas foram apresentadas em nome do doutor Henrique Rilkert, por intermédio do doutor Mornay.
Por que piranhas?

Hoje pode parecer estranho imaginar um Imperador recebendo peixes conservados como presente.
Mas existe uma explicação para isso.
Dom Pedro II tinha grande interesse pela natureza e costumava registrar em seus diários informações sobre animais, plantas, paisagens e características das regiões que visitava.
Durante a própria viagem pelo São Francisco, ele observou atentamente a fauna do rio.
Em Penedo, por exemplo, registrou ter visto uma piranha e chegou a fazer uma cópia do peixe, descrevendo seus dentes e suas escamas.
Portanto, aqueles peixes não eram apenas uma lembrança curiosa.
Eles também dialogavam com o interesse do próprio Imperador pela observação científica da natureza.
E o urubu-rei?

O outro presente talvez fosse ainda mais curioso.
O urubu-rei (Sarcoramphus papa) é uma das maiores aves necrófagas das Américas e possui uma aparência bastante característica, com cabeça colorida e plumagem branca e preta.
No século XIX, oferecer um exemplar dessa ave a um visitante ilustre também poderia ter um significado ligado à fauna da região.
O relato não diz, entretanto, exatamente onde o animal foi obtido ou o que aconteceu com ele depois.
Essa é uma daquelas pequenas perguntas que os documentos históricos deixam pelo caminho.
Penedo e a viagem de Dom Pedro II
A passagem de Dom Pedro II por Penedo não foi um episódio isolado.
A cidade fazia parte de uma viagem maior pelo Baixo São Francisco, realizada em 1859, quando o Imperador percorreu diversas localidades até chegar à Cachoeira de Paulo Afonso.
Em Penedo, ele visitou igrejas, estabelecimentos, repartições e escolas, observou a movimentação do porto e registrou suas impressões sobre a cidade.
Uma delas ficou famosa:
“O local é muito bonito e creio que devera estar aqui a capital da província.”
O episódio dos presentes revela outra dimensão dessa viagem.
Além das cerimônias oficiais e dos discursos, havia também uma relação curiosa entre o visitante e aquilo que encontrava na natureza do São Francisco.
E talvez seja justamente esse o detalhe que torna a história tão interessante.
Em uma cidade às margens do Velho Chico, o Imperador recebeu como lembrança um urubu-rei e quatro piranhas.
Não é exatamente o tipo de presente que aparece nos livros de história.
Mas está registrado nos documentos da viagem.
Uma pequena história escondida nos documentos de Penedo
A visita de Dom Pedro II deixou muitas marcas na história de Penedo.
O prédio onde ficou hospedado ainda existe e hoje abriga o Museu do Paço Imperial e o Memorial Raimundo Marinho.





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